E você, que rumo pretende tomar?

26 09 2010

Passou tanta coisa. Passou aniversário, passaram dificuldades, passaram alegrias, passaram revoltas, passaram amizades, passou muita coisa e nada eu postei aqui. Não que eu não quisesse, só… Sei lá. Só não postei. Não tenho um contrato assinado, com sangue derramado em papel que me obrigue a postar aqui periodicamente. No entanto tenho pessoas que gostam de ler o que escrevo, e mesmo nada postando, as pessoas continuam me visitando! Acho um absurdo ignorar isso. Pois bem, aqui estou, escrevendo, e… postando.

Antes do texto, aconselho a todos que assistam essa pequena e simpática animação. Ela conta, apenas com imagens e sons, a história de um “Windmill Farmer” que, em uma tradução ao pé da letra, poderíamos chamar de um “Criador de Moinhos”, uma espécie de fazendeiro que planta moinhos. O vento um dia chega e destroi tudo, no entanto dá a ele uma nova perspectiva de vida. Assista:

Agora, vamos ao texto:

Imagine um campo, uma plantação de cana-de-açúcar, agora, não, espere. Uma plantação de cana-de-açúcar é muito densa, perigosa, me lembra trabalho escravo. Vamos mudar. Imagine um campo aberto, daqueles de filmes americanos, amarelos, com um moinho ao fundo, algumas flores do campo. Agora imagine-se diante dele. Sem saber o que fazer. Se o atravessa. Se o desbrava. Se dá meia volta, e toma seu caminho para trás. Ah, esqueci de mencionar que você precisa chegar do outro lado, lá, perto do moinho.

Veja bem, não é uma encruzilhada. Só um caminho a percorrer: atravessar o campo. Você pode ir pela direita, pela esquerda, pelo meio, não importa. Seu objetivo é chegar do outro lado. No entanto, você olha para trás e vê que a felicidade está ali também, e fácil, você só terá que abdicar de algumas coisas que você queria – como, por exemplo, chegar do outro lado – para tê-la, bem facilmente, sem ter que atravessar esse campo enorme. Mas aí você perderia tudo aquilo que você sempre sonhou! O outro lado do campo!

E não pense você que a travessia do campo é algo fácil, porque não é. Além de andar muito, você encontra dificuldades demais pelo caminho. Cobras, insetos, escorpiões, buracos… Há de se pensar muito em que rumo tomar para do outro lado chegar. O problema, amigos, é que é difícil escolher. Não pense que entre a direita e a esquerda, só tem o meio não. Muitos caminhos perpendiculares, muitas retas paralelas, linhas diagonais a seguir, e você tem que escolher. Se errar você pode até voltar, mas aí pode ser tarde demais. Como costumo dizer, o tempo é cruel e não costuma nos dar muitas escolhas não.

Esse caminho nos dá muitas alegrias, tristezas, ganhos e perdas. Temos que fazer as escolhas certas, agarrar o que ganhamos, nos desfazer rápido daquilo que perdemos, de todo peso morto para termos uma caminhada mais leve. Mas é fácil falar e difícil caminhar. Talvez por isso muitos optam por voltar, dar meia volta e tentar ser feliz sem se arriscar demais, sem viver demais. Dentre tantos caminhos, muitas vezes somos levados, não conseguimos nos guiar. E aí, podemos ter surpresas, ora agradáveis, ora desagradáveis. Mas, bons filhos de Deus que somos, vamos aceitando tudo, até onde dá.

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A vida e sua crueldade.

10 08 2010

Sabe quando éramos pequenos? Nada importava, ou tudo importava de uma maneira inócua, bem diferente do que hoje importa. Não nos prendíamos a nada, a não ser a doces, brinquedos e pessoas que amávamos. O tempo passou. Hoje eu continuo preso a doces, a pessoas que amo e a muita que coisa que importa muito.

Dez, vinte anos é tempo demais, mas todo esse tempo voa, e, quando menos se percebe, estamos enfrentando um mundo de responsabilidades que antes não faziam parte de nossa vida. E tudo acontece de uma hora pra outra. Você não percebe que está crescendo.

Tudo, tudo cresce. Você cresce. Sua capacidade de percepção cresce. Suas responsabilidades aumentam. A cobrança aumenta. E você, como se fosse preparado para isso, tem que encarar tudo numa boa, por que a vida é assim, “por que você já não é mais criança”. O engraçado é que já deixei de ser criança desde quando me tornei um adolescente. Aliás, desde quando me tornei um pré-adolescente. No entanto, invariavelmente, quando me tornei um “adulto” a adolescência é dizimada de minha existência, e logo comparam: “você já não é mais criança”. Só posso dizer que se não sou mais criança, não é uma opção. Se pudesse optar, estava eu preso aos meus 12 anos.

A vida é cruel. Ela não te prepara para assumir o que chamam de “independência”. Mas ela te faz querer de maneira tão forte, mas tão forte, a tal da independência que você passa a desejar isso como prioridade número um de sua vida. E, quando, que ótimo, você a alcança, você chora desesperadamente querendo ser dependente, querendo voltar pra casa, pros braços dos pais, pra debaixo do teto que você cresceu – a barra da saia de sua mãe.

A quem recorrer? Ora, aquela que te gerou. A vida. O problema é que, depois de atingir seu objetivo, que era nos enganar, nos mandando pra independência, a Vida nos dá as costas. O que ela diz? Ora, ela nos diz que não somos mais crianças. Mas foi ela que nos mandou pra cá! Não, não quero mais, eu quero voltar! Me deixa ser criança, pelo menos adolescente, de novo! Por favor! Não. Não dá. Siga em frente.

Um desespero louco toma conta da nossa mente. E agora? E agora? Agora não tem como voltar atrás. Uma hora, ou outra, temos que seguir nosso caminho. Por mais doloroso que ele possa parecer. Vai ver depois ele deixa de ser doloroso. O problema é que eu não quero que ele deixe de ser. Eu não quero deixar de sofrer por estar longe de casa. Eu não quero deixar de chorar de saudade. Eu não quero. Essa saudade é minha, é doce, e é minha.

Idos de 1977 e Rita Lee cantou Ambição. Ela dizia: “Eu saí pela estrada/E não tenho pra onde ir/Sempre ouvir dizer/Que esse mundo era pequeno/Pelo caminho de espinhos/Avistei um mar de rosas/Pra chegar até lá/Eu preciso um pouco mais de tempo/Preciso de um grande amor/Preciso dinheiro, preciso humor”. E esse mundo é realmente pequeno. Mas sentimentos, sensações, deveres… Distanciam demais as fronteiras geológicas e nos afastam mais e mais, torna esse mundo cada vez maior, cada vez maior… Só não quero estar aqui, quando esse mundo explodir. E só quero rir se eu não aguentar e explodir.

ps: para quem não sabe, saí de casa há um mês para estudar em Belo Horizonte.





Esperando a novela começar.

31 05 2010

Indiscutivelmente nós constituímos uma sociedade capitalista, com seus altos e baixos. Desde 1929 que o mundo não vê um monstro tão grande quanto a crise econômica que nos assolou no último ano. Que aterrorizou a todos com o medo da falência, de perder tudo. Organizações do mundo todo, sejam elas privadas ou estatais, e até mesmo os palácios governamentais mobilizaram-se para evitar a falência do capitalismo global. Empréstimos a bancos, a multinacionais falidas, tudo para que a recessão não afetasse o setor terciário: o comércio. Até nós mesmos, meros consumidores, fizemos o que pudemos para evitar gastos, economizar, para fugir do monstro esmagador da tão falada – e pouco explicada, crise mundial.

E você? Vai continuar esperando?

Enfim, o mundo todo está alarmado até hoje. Penso que esta é a maior demonstração universal do egoísmo e da hipocrisia daquilo que representamos. Um conjunto de atitudes que ajudou a todos nós a conhecermos melhor nossa banalização moral, a pôr pra fora aquilo que nós mesmos condenamos.

Há anos, há séculos, atrevo-me a dizer, vivenciamos diariamente uma crise social, e nunca paramos para pensar sobre isso, nunca buscamos soluções, nunca nos mobilizamos em massa para solucionar os problemas que a sociedade enfrenta.

De uns tempos pra cá temos assistido de tudo. Assistimos ao declínio da sociedade, da natureza, e continuamos hipócritas, vivendo normalmente e dando conselhos aos amigos de que o dinheiro não é a coisa mais importante do mundo. Mas quando a coisa aperta … Já vimos que tudo pode-se fazer para consertar.

Muita coisa passou, e não fizemos nada, a não ser acompanhar um crime ou outro pela mídia. Pessoas matam por dinheiro, traem por dinheiro, vendem o corpo por dinheiro… A ganância, creio, chegou ao ponto máximo. O ponto onde nada tem valor, onde nada é empecilho para lucrar, onde a vida de uma pessoa não passa de um simples obstáculo que se ultrapassa com um tiro, com facadas, como quem abre uma porta apenas para poder passar, mata-se apenas… Por matar.

É um mundo muito louco. Um mundo onde a mídia e a violência nos fazem chorar mortes de pessoas que nunca vimos na vida, mas nos compadecemos pela brutalidade e frieza com que essas mortes vêm acontecendo. As páginas dos jornais só noticiam isto, mortes, violência, espancamentos, estupros, pais que matam filhos, mães que jogam filhos no lixo, idosos espancados, crianças abusadas sexualmente, tráfico de drogas cada vez mais intenso, crianças armadas, guerras, tiroteios, ônibus destruídos, escolas bombardeadas, hospitais incendiados, políticos corruptos, Sarney no senado… Todos os dias temos lido e assistido somente a notícias ruins, e continuamos vivendo  fingindo que tudo está bom? Que tudo está normal? Que o único problema a se preocupar é se o capitalismo vai entrar em colapso?

Só nos preocupamos quando alguém da nossa família, algum amigo é a vítima dessa violência. Aí, quando nós sentimos a dor, criamos ONG’s, manifestações, camisetas estampadas com fotos de vítimas, mas enquanto a dor é do outro, nos resumimos a um “onde vamos parar?” boquiabertos diante da televisão, esperando – ansiosamente, que a novela comece. É necessário agir, pensar no que estamos vivendo. Se prestarmos atenção, se não formos otimistas demais e passássemos a ser um pouco mais realistas, viríamos que o revólver está apontado para a nossa cabeça, e que passeatas de paz não vão resolver mais nada, pois a cultura de violência já está instaurada. A violência na política nos serve de exemplo, os pais tem servido de exemplo aos filhos. Mas mesmo assim temos que agir, de um modo ou de outro, não podemos ficar esperando que a novela comece novamente.





O eu deturpado.

24 05 2010

Podemos ser aquilo que queremos ser? Temos realmente esse poder em nossas mãos – ou mentes? Conseguimos criar para nós a vida que queremos? Muitos apostam na teoria que nós, seres humanos, podemos tudo, basta querermos, não é assim?

Muitos apostam, aliás, em coisas demais. E nós ficamos aqui, sem saber em que apostar, neles ou em nós mesmos. No meio dessa confusão ficamos, pacientemente, esperando a nova teoria, o novo livro de auto-ajuda, o novo estudo científico ou o novo quadro do Fantástico, e com isso tudo podemos tecer nossas escolhas.

Nossas ou de quem nos guiou? Enfim, vemos na tevê, na internet, lemos nas revistas super interessantes, aquilo que devemos ser, ter – e principalmente ter, e aprender para que tenhamos a vida que queremos. Aí viramos a página, mudamos de canal ou acessamos outro site e descobrimos então aquilo que nós devemos querer. E nesse querer, podemos incluir o que devemos querer vestir, o que devemos querer comer, o que devemos querer ler, o que precisamos querer assistir, os lugares onde queremos frequentar, tudo isso, se seguirmos a risca, para podermos ter o necessário para nos tornar aquilo que devemos ser.

Perdeu-se de você mesmo?

Perdeu-se de você mesmo?

Então, se acompanharmos os variados conselhos que temos a nossa disposição – sempre de gente rica, bonita, famosa, inteligente, elegante, vamos realmente nos tornar aquilo que queremos ser. Ou o que eles querem que nos tornemos. E é fácil conseguir isso. Basta adicionar a todos os conselhos a quantidade de dinheiro necessária para segui-los, mudar para São Paulo ou para o Rio de Janeiro (para caminhar no calçadão e manter a saúde, você quer isso) e no final, conte com um pouco de sorte para conseguir tudo que você quer. Se depois de feito tudo isso nada tiver mudado, a não ser a cidade, então é hora de cair na real e ver que quem decide sua vida de fato é você, apesar da boa intenção dos conselheiros e apostadores.

Se tentarmos acompanhar todas as tendências, eu afirmo com toda certeza: ficamos loucos! Cada hora nos direcionam para um lugar diferente. Em dado momento Platão é o rei, já na semana seguinte quem manda é Sócrates, já hoje quem determina tudo é o protagonista da novela das oito. Se fosse fácil assim… A teoria d’O Segredo afirma que devemos ter pensamento positivo, a revista Galileu, e seus estudiosos, afirmam que o pensamento positivo tem efeito… contrário. De fato é um absurdo sermos bombardeados com tantas informações variadas e desconexas, mas cabe aí uma reflexão: onde estão as minhas decisões?

Acredito que todos que tenham que tomar qualquer decisão, tenham experiência suficiente para tomá-la, até mesmo um estudante a beira do precipício – o vestibular, ao escolher sua profissão. Até mesmo ele tem experiência para tomar essa decisão, e se não tiver, espere. Diante de tudo e de todos, devemos ter confiança em nossas próprias teorias, apostas e estudos. Em nossos próprios debates internos, pensamentos e conselhos. E só assim conseguimos chegar a algum lugar, e desse lugar você não  pode reclamar, pois foi você que te levou até lá.





Maravilha da Confiança

4 05 2010

Algumas vezes, em uma auto-avaliação, parecemos tolos. Ou no final, se houver um, descobrimos que fomos tolos por muito tempo. Contudo, muitas pessoas e situações merecem o benefício da dúvida. Inclusive eu, você, enfim: todos nós, em algum momento de nossas vidas, merecemos tal benefício.

Confiança: um nó no ar.

Confiança: um nó no ar.

Estou falando de confiança. Esse simples ato de crer no outro, de acreditar no que outra pessoa diz, de ter a certeza que ninguém mentiria para você. Uma teoria romântica, talvez, afinal, que mal faz uma pitada romancista em nossas vidas? Considero a maravilha do poder confiar e do querer confiar um dos meus combustíveis para viver e conviver. Mesmo com todos os sentidos amarrados, inativos, obstruídos, sem nenhum artifício para me avisar de que estou certo ou errado, confio, cegamente.

Imagine o nada. Pense em como seria dar um nó no ar. A maravilha da confiança localiza-se justamente nesse ato. Quando confio em alguém, dou um nó no ar. Deposito nesse nada toda a minha vontade de confiar, de acreditar. E enxergo nesse ato uma das maiores generosidades humanas. Doar-se ao incerto, edificar-se sem o apoio de base alguma, crer por pura crença.

Muitos se dizem céticos, e, ao analisarem atos de violência, roubos e assassinatos, afirmam não crer no ser humano. Não acreditar que o ser humano tenha “conserto”. Quando ouço, ou leio, tais afirmações guardo comigo minha indignação: Não podemos nos esquecer que nós somos seres humanos, e a grandiosidade do que se diz, a não confiança em si próprio, é um indício do declínio da sociedade.

Edificamos-nos em uma sociedade sólida, capitalista, mas que, de mãos dadas, e injustiças à parte, seguimos em frente e criamos coisas que nossos antepassados jamais imaginariam. E por trás de bases sólidas de concreto, interesses próprios ou comunitários, existe uma só base que mantém, e a única que consegue levar avante, essa sociedade: a confiança.

É claro que no auge de toda nossa ignorância, e das exigências que a sociedade nos impõe, criamos critérios para confiar. Não se confia no pobre, não se confia no presidiário, na garota de programa, na empregada, mas se confia no rico, no empresário, acima de todas as suspeitas está o artista, a pessoa pública. Colocamos-nos em um pedestal tão alto que, apontando os dedos, selecionamos aqueles em quem podemos, ou não, confiar, quando escolhemos confiar.

Seria covardia não confiar? Talvez não. Não culpo quem tem dúvidas quanto a confiar em alguém. Assistimos na televisão, na casa dos vizinhos, na praça, todos os dias, diversos motivos para que não confiemos. Dentro de casa, muitos filhos têm um só exemplo: no fim de uma relação de confiança, nos percebemos tolos, decepcionados. Ah, dessa dor já estou calejado. Mas prefiro me acostumar à dor a me privar da confiança.

Por quantas vezes depositamos toda nossa confiança, não que ela seja quantitativa, em uma pessoa, em uma relação, e temos como retorno a decepção, a traição. A sensação é a mesma de um soco no estômago. Tudo aquilo que você construiu como imagem de confiança, se desmorona. E ali está você, pronto para crer e confiar novamente.

A confiança é um sentimento. Um sentimento sólido, base para que se aflorem todos os nossos outros sentidos. Confiança em tatear algo, confiança em comer algo, em dar o próximo passo. E, sendo um sentimento, é algo tão íntimo e grandioso, que não podemos nos dar ao luxo de abandoná-la. De simplesmente não confiar.





Uma chance de viver

25 04 2010

Há alguns meses me perguntaram qual o melhor conselho que eu já recebi, e, em uma tentativa tola de “impressionar”, eu respondi que foi quando me disseram “não acredite na amizade”. Essa resposta ficou marcada no meu interlocutor, arrependo-me. Hoje, se ele me fizesse essa mesma pergunta, eu responderia o que o meu pai me disse há alguns dias: “Não confunda não dar certo, com dar errado.”

Gerações passarão, séculos ficarão para trás, e o homem continuará se perguntando o que faz aqui. Talvez, com o avançar do desenvolvimento tecnológico, descubramos, por meios metafísicos e não filosóficos, de onde viemos, para onde vamos, mas nossa missão, o que viemos fazer aqui, somente o tempo, a vida, uma “conversa” do indivíduo carnal com o seu indivíduo espiritual poderá desvendar tal mistério.

Para tentar cumprir essa missão, ou o que achamos que seja essa missão, traçamos planos. Planos de vida, planos para viver, afinal, o ser humano é muito ágil, seu poder mental é muito expressivo para que ele fique parado. Estudamos, lemos, buscamos sempre evoluir no âmbito intelectual, tentando chegar a algum lugar, ocupar um espaço nosso, conquistado por nossos méritos. Planejamos tudo, desde o início, a faculdade, experiências que julgamos necessárias para a construção de nossa personalidade. Tentamos captar os mínimos detalhes da nossa escalada rumo ao cume: desde os tropeços aos êxitos.

Eu traço planos. Planos da minha vida profissional, da minha vida pessoal. E só estou começando agora. Há alguns dias, algo que julgava como certo, deu errado. O que era inaceitável, uma vez que eu planejei tudo, estava tudo sistematizado, cada vírgula no seu lugar, cada emoção no seu devido tempo. Os medos, os anseios, tudo que eu poderia sentir no começar de uma nova vida, no começar da minha vida, estavam todos descritos em uma folha de papel e calculados em uma planilha eletrônica. Repentinamente assisto a tudo dando errado.

Mas como pode ser? O que vai ser de toda a minha vida se já começo com tudo dando errado? Fora essa a resposta que dei ao meu pai quando ele me indagou o por que de minha frustração. E a resposta dele, descrita no início deste texto, calou-me em pensamentos. Minha mãe, alertou-me do risco que estava correndo: logo no começo, me abatia por algo que não havia dado certo. “Há, se tudo saísse como o planejado…” Minha mãe terminou a frase com a emoção de suas reticências, e deixou-me vislumbrando a maravilha do que eu estava aprendendo.

Parece banal. Com todos com quem converso a respeito, me dizem a mesma coisa. Que eu deveria saber. Que todos sabem. Bom, na verdade até eu sabia que nem tudo sempre dá certo. Mas não esperava que fosse assim comigo. Justamente comigo, que sempre planeja tudo, tão organizada a mente. O duro é perceber que realmente as coisas podem não dar certo, mas bem provavelmente elas não deram errado. Todos nós, desde a pessoa com dezoito anos de idade ao ser com cinquenta anos, deve saber que temos o direito de tentar novamente, de traçar novos planos, de viver, afinal.

Apelando ao clichê, você precisa saber acreditar que um ponto final pode significar o começo de uma nova frase, de um novo parágrafo, uma nova etapa. Devemos sim, se quisermos alcançar tudo aquilo que queremos para o nosso futuro, batalhar e correr atrás do que almejamos, no entanto devemos correr sem cobrar de mais da vida, por que de semana em semana que dizemos “passou rápido demais” passa a nossa história, fica pra trás as chances, não de tentar, mas de sermos felizes.





Lágrimas da Informação

23 04 2010

Informação: Quantos recebem esse abraço?

Para quem acompanhou o processo do retorno do blog, vai soar estranho o título desta primeira postagem. Comentei que iria postar inicialmente, inauguralmente, algo relacionado ao mundo dos blogs, da internet, o texto já estava até mesmo pronto, e alguns de vocês já até o tinham em mãos. Mas, não saindo do assunto “informação” resolvi modificar o tema, aliás, distorcer.

A quantas andas o nível de informação da população brasileira, você sabe me informar?

Pela demonstração que tive ontem, posso dizer que não estamos nem mesmo próximos a um nível de conhecimento, de informação básica à constituição de qualquer sociedade.

Fiquei realmente boquiaberto quando ouvi um senhor perguntar a outra pessoa se “a Aids pode ser transmitida pela lágrima do ‘doente”, e que ele estava com medo, pois no dia anterior teria consolado uma pessoa infectada, e suas lágrimas lhe tocaram o rosto.

Não devemos rir, debochar, muito menos nos postar indiferentes a tal fato. Ele não é burro, não é ignorante, muito menos um problema social: ele é um problema político. Infelizmente, assim como a maioria da população brasileira, esse senhor não teve acesso às restritas políticas públicas de informação.

E isso é um problema meu, seu, de todas as pessoas que têm um mínimo de conhecimento, que lhes permita viver com discernimento mínimo para saber que a AIDS não é transmitida pela lágrima do infectado. Tal negligência no acesso à informação da população contribui, entre outras coisas, com o preconceito, no caso, com portadores do vírus HIV.

Como o caso do Dourado, do BBB, que afirmou que a AIDS só é transmitida entre homens homossexuais, e que a Gripe Suína era uma conspiração política. Homofobia? Ignorância? Falta de informação.

É realmente desconfortante perceber que o que é óbvio para muitos, que eu julgava ser maioria, é tão distante para muitas pessoas. E o problema não se restringe às formas de infecção pelo vírus HIV. Ele se extende à pessoa que não tem acesso à internet, a pessoa que não sabe por que criticam tanto o governo, uma vez que ele recebe o Bolsa Família, se extende a parte da população que não tem acesso a nenhuma informação, a população que não usa camisinha por não acreditar em seu funcionamento, que não vai a médicos, por não acreditar em seu conhecimento, enfim, não podemos falar em evolução, em desenvolvimento sócio-econômico uma vez que frequentemente nos deparamos com casos com o do senhor supracitado.

Não, senhor, a AIDS não se transmite pela lágrima do infectado, mas transmitiram ao senhor a gratidão por estar ajudando-a, mesmo correndo risco, em sua concepção, de ser infectado. Isso ainda nos dá esperança, ao analisarmos a situação por um outro ponto de vista.