Esperando a novela começar.

31 05 2010

Indiscutivelmente nós constituímos uma sociedade capitalista, com seus altos e baixos. Desde 1929 que o mundo não vê um monstro tão grande quanto a crise econômica que nos assolou no último ano. Que aterrorizou a todos com o medo da falência, de perder tudo. Organizações do mundo todo, sejam elas privadas ou estatais, e até mesmo os palácios governamentais mobilizaram-se para evitar a falência do capitalismo global. Empréstimos a bancos, a multinacionais falidas, tudo para que a recessão não afetasse o setor terciário: o comércio. Até nós mesmos, meros consumidores, fizemos o que pudemos para evitar gastos, economizar, para fugir do monstro esmagador da tão falada – e pouco explicada, crise mundial.

E você? Vai continuar esperando?

Enfim, o mundo todo está alarmado até hoje. Penso que esta é a maior demonstração universal do egoísmo e da hipocrisia daquilo que representamos. Um conjunto de atitudes que ajudou a todos nós a conhecermos melhor nossa banalização moral, a pôr pra fora aquilo que nós mesmos condenamos.

Há anos, há séculos, atrevo-me a dizer, vivenciamos diariamente uma crise social, e nunca paramos para pensar sobre isso, nunca buscamos soluções, nunca nos mobilizamos em massa para solucionar os problemas que a sociedade enfrenta.

De uns tempos pra cá temos assistido de tudo. Assistimos ao declínio da sociedade, da natureza, e continuamos hipócritas, vivendo normalmente e dando conselhos aos amigos de que o dinheiro não é a coisa mais importante do mundo. Mas quando a coisa aperta … Já vimos que tudo pode-se fazer para consertar.

Muita coisa passou, e não fizemos nada, a não ser acompanhar um crime ou outro pela mídia. Pessoas matam por dinheiro, traem por dinheiro, vendem o corpo por dinheiro… A ganância, creio, chegou ao ponto máximo. O ponto onde nada tem valor, onde nada é empecilho para lucrar, onde a vida de uma pessoa não passa de um simples obstáculo que se ultrapassa com um tiro, com facadas, como quem abre uma porta apenas para poder passar, mata-se apenas… Por matar.

É um mundo muito louco. Um mundo onde a mídia e a violência nos fazem chorar mortes de pessoas que nunca vimos na vida, mas nos compadecemos pela brutalidade e frieza com que essas mortes vêm acontecendo. As páginas dos jornais só noticiam isto, mortes, violência, espancamentos, estupros, pais que matam filhos, mães que jogam filhos no lixo, idosos espancados, crianças abusadas sexualmente, tráfico de drogas cada vez mais intenso, crianças armadas, guerras, tiroteios, ônibus destruídos, escolas bombardeadas, hospitais incendiados, políticos corruptos, Sarney no senado… Todos os dias temos lido e assistido somente a notícias ruins, e continuamos vivendo  fingindo que tudo está bom? Que tudo está normal? Que o único problema a se preocupar é se o capitalismo vai entrar em colapso?

Só nos preocupamos quando alguém da nossa família, algum amigo é a vítima dessa violência. Aí, quando nós sentimos a dor, criamos ONG’s, manifestações, camisetas estampadas com fotos de vítimas, mas enquanto a dor é do outro, nos resumimos a um “onde vamos parar?” boquiabertos diante da televisão, esperando – ansiosamente, que a novela comece. É necessário agir, pensar no que estamos vivendo. Se prestarmos atenção, se não formos otimistas demais e passássemos a ser um pouco mais realistas, viríamos que o revólver está apontado para a nossa cabeça, e que passeatas de paz não vão resolver mais nada, pois a cultura de violência já está instaurada. A violência na política nos serve de exemplo, os pais tem servido de exemplo aos filhos. Mas mesmo assim temos que agir, de um modo ou de outro, não podemos ficar esperando que a novela comece novamente.








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